A BÍBLIA, ORA A BÍBLIA
Antigamente, a Bíblia dizia... “Entra no teu quarto, fecha a porta, ore a teu Pai que vê em secreto e ele te abençoará”. Era simples assim. Hoje, não.... é necessário uma série de atos, de intermediários, de papeizinhos, de fogueira, de corrente, de sal, de monte, copo d’água sobre a TV....
Antigamente, a Bíblia dizia... “misericórdia quero, e não sacrifícios”. Hoje, não.... sempre é necessário “sacrificar” alguma coisa para obter as bênçãos de Deus.
Antigamente, a Bíblia dizia.... “A fé vem pelo ouvir, o ouvir da Palavra de Deus”. Hoje, não... é preciso sempre algo visível e palpável para dar uma “mãozinha” na fé sempre vacilante das pessoas, que passarão o resto de suas vidas dependendo dessas coisas.
Antigamente, a Bíblia dizia pela boca do salmista: “Foi-me bom ter passado pela aflição, para que aprendesse os teus decretos”. Hoje, não... jamais se aceita o caráter purificador e corretivo da provação. Aflição significa sempre que há alguma maldição hereditária vinda de seu bisavô e que precisa ser quebrada.
Antigamente, na Bíblia, diante de situações inevitáveis como a que Jesus precisava enfrentar, ele pede com espírito humilde e brando: “Pai, se for possível passa de mim esse cálice; contudo, não seja o que eu quero, e sim o que tu queres”. Hoje, não.... diante dos cálices que Deus coloca à nossa frente, esperando que o tomemos como prova de nossa fé, nossa primeira reação sempre é: “Eu não aceito, não aceito e repreendo!”.
Antigamente os verdadeiros apóstolos da Bíblia eram simples, sofredores, perseguidos, não tinham onde “cair morto”, e até diante de alguém que lhes pedia esmola afirmavam que não tinham “nem ouro nem prata” para dar. Hoje, não.... os apóstolos atuais andam em jatinhos próprios, moram em suntuosas mansões, e possuem contas bancárias no exterior.
Antigamente, na Bíblia, o amor ao dinheiro era visto como a “raiz de todos os males”. Hoje, não.... o dinheiro é a santa solução de todos os problemas.
Antigamente, a Bíblia ensinava para submeter-se a Deus e resistir ao diabo, que ele fugiria de nós. Hoje, não.... você precisa realizar diversos rituais esotéricos que vão lhe ensinar para o diabo fugir de você: mapear território, jogar sal, andar com óleo ungido.... nenhuma palavra sobre viver em santidade, que é a única coisa que o diabo realmente teme.
Antigamente, na Bíblia, os pequenos grupos de cristãos viviam em simplicidade, respeitavam-se uns aos outros, e aconselhavam-se mutuamente. Quem era líder procurava ensinar pelo exemplo e jamais pretendia ter o domínio sobre a vida de ninguém. Hoje, não.... líder manda, decide, e age como se fosse o próprio Deus na vida das pessoas, e aquele que não aceitar será publicamente taxado de rebelde, insubmisso e possuído.
Antigamente, o culto da igreja primitiva era um encontro singelo e gostoso do povo de Deus, e Jesus prometia estar no meio deles, mesmo se fossem dois ou três reunidos. Hoje, não: culto é show, e só funciona se tiver milhares de pessoas. Se Jesus estará ali é mero detalhe.
Antigamente, a Bíblia dizia.... “Aprendi a viver contente em toda e qualquer situação”. Hoje, não.... as pessoas não ficarão contentes enquanto não tiverem tudo aquilo que desejam.
Antigamente, na Bíblia, era muito claro para os crentes que entre eles havia lobos devoradores, falsos profetas e que eles precisavam pôr à prova os espíritos para ver se realmente era de Deus. Hoje, não.... acredita-se em tudo e em todos e muitos ainda defendem os “cabras” falando para não se tocar nos “ungidos do Senhor”.
Antigamente, a Bíblia dizia que Paulo deixou Trófimo doente em Mileto, que Timóteo sofria de freqüentes enfermidades do estômago e que Eliseu morreu da enfermidade que padecia. Hoje, não..... muitos pastores prometem a cura para todos que os buscarem, pois eles têm poder para isso (e por analogia, Paulo era um incrédulo, Timóteo um fraco e Eliseu um coitado sem fé que aceitou morrer da doença que sofria).
Espero que não, mas pode ser que alguns que chegaram até o final dessa leitura, dirão: “Não podemos ser tão radicais assim... Bíblia, bíblia.... ora a Bíblia”.
Daniel Rocha, pastor

